ERP

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O ERP produz diferenciais para sua empresa?

Existe uma clara distância entre o que as organizações esperam da TI e o que a área entrega de verdade. E essa situação está ligada a quatro falhas principais na condução dos projetos

Escrevi o meu primeiro texto sobre alinhamento entre TI e negócios por volta de 1997 e, 12 anos depois, o assunto renasce sob outras formas, o que me faz pensar se não é um tema que nunca será completamente resolvido. Este mês um outro tema me chamou a atenção para uma discussão que, no fundo, tem o mesmo propósito: a área de tecnologia da informação atende às necessidades da empresa com o ERP (sistema de gestão empresarial)?

Estudos recentes são alarmantes e decepcionantes. Um artigo na CIO norte-americana (http://shar.es/1Xnz6) descreve alguns casos e várias pesquisas, das quais extraio os resultados que considero mais chocantes:
• Apenas 7% dos projetos terminam no prazo planejado;
• Apenas 13% dos 1,3 mil participantes se dizem “muito satisfeitos” com o ERP;
• 40% das vezes a TI diz que “falta aceitação do usuário”.

São resultados que confirmam aquilo que todos nós sabemos: existe uma clara distância entre o que a empresa espera da TI e o que entregamos de verdade. No artigo citado são avaliadas as questões do software, porém, pela minha experiência, acredito que o “problema” seja outro. Não se trata de avaliar o software, o que precisamos é pensar como implementamos e mantemos o ERP. Cito o que considero as faltas mais graves:

1. Uma única solução para tudo
A velha recomendação para reduzir o número de fornecedores e padronizar a tecnologia faz todo sentido e continua válida, porém, isso não significa que todas as demandas do negócio devem ser incluídas no mesmo sistema. Na prática, a TI procura maximizar o uso da solução e passa a tentar fazer tudo no ERP.
Como diz o velho ditado: “para quem só tem martelo todo problema é prego”. A conseqüência é que se adotam módulos adicionais que não atendem ao negócio. Após alguns anos você tem inúmeros módulos quase bons – mas são quase e esse é o problema.

2. Paixão antes da razão
Em um projeto típico, a equipe é treinada pelo fornecedor do ERP e depois trabalha por dois anos com o integrador e no terceiro ano já acumula 1.095 dias falando só do ERP. A equipe dorme e acorda pensando como a solução é fantástica e, ao colocá-la em produção, fica extasiada com a emissão da primeira nota fiscal. Está consolidada a paixão.
A partir desse ponto, quando um pobre usuário critica a solução, está gerada a inimizade. E se o usuário pedir uma modificação para melhorar o sistema, a inimizade passa a ser eterna. A paixão da TI pelo sistema se sobrepõe à razão dos negócios, aumentando a distância entre as duas áreas (TI e negócios).

3. Comigo é diferente
Todo projeto começa com um planejamento otimista – muito otimista. Se você se oferece para fazer uma revisão, um benchmark ou introduzir atividades de verificação, a resposta vai ser “já fiz isso”. Conseqüência: o projeto parte com premissas erradas e prazos impraticáveis. Não é à toa que apenas 7% são entregues no prazo.

4. O business está convencido
Nunca está. Já vi projetos que nem o sponsor (patrocinador do projeto) confiava no resultado. Na prática, quando sugerimos serviços de change management (mudança na gestão), o líder do projeto responde que “é muito caro” e tenta fazer ele mesmo essas atividade. Mas, na verdade, queria dizer: “ih, esqueci de incluir no orçamento do projeto”.
Change management custa apenas 3% do projeto. Conseqüência: 40% acham que “falta aceitação do usuário”. Falta mesmo, se você não fez nada para envolvê- lo, não espere milagres.

A resposta para a pergunta título deste artigo é: apenas 4% dos participantes da pesquisa acreditam que o ERP lhes dá um diferencial competitivo. São 52 pessoas entre 1,3 mil. E o seu chefe, o que acha do seu ERP?

Pedro Bicudo, da TGT Consult

http://cio.uol.com.br/opiniao/2009/09/14/o-erp-produz-diferenciais-para-sua-empresa/

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